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Be original. Be Wonderful

REV: The Blood We Hide

 


FICHA TÉCNICA

TÍTULO: The Blood We Hide

AUTOR(ES): Cherry-Bombs

FANDOM: Original

GÊNERO: Romance, Sobrenatural, Fantasia

CAPÍTULOS: 4 capítulos (sem a dedicatória)

STATUS: Em andamento


» I. PRIMEIRA IMPRESSÃO + VITRINE DA OBRA

Confesso que, inicialmente, fui fisgada pelo coração. Ainda não havia tido a oportunidade de ler a história e me inteirar dos eventos, mas, quando li a sinopse e bati o olho na dedicatória citando a família mais amada (ou odiada) do mundo sobrenatural e Crepúsculo, minhas expectativas chegaram ao teto. Mesmo sabendo que esses universos têm seus problemas e temas, digamos, “duvidosos”, eles têm licença poética em minhas memórias afetivas.

Meu pano é preto com glitter, sim, senhora.

Então não teve como evitar: meu lado obcecado por personagens lindos e complexos (dos quais, na vida real, eu correria para as colinas) deu um pulo ornamental ao estilo Rebeca Andrade. O prólogo também me deu aquele empurrãozinho; ele é simples, apresenta os protagonistas sem muita enrolação e serviu — e muito — para me deixar curiosa enquanto leitora.

Foi o clássico: "Tu me prometes o mundo, mas consegues mantê-lo?".

Entendo perfeitamente que seu pedido, de forma intencional ou não, se referia apenas à leitura do capítulo 5, mas decidi ler todos os capítulos para ter uma base e fundamento mais assertivos. Então o Review será sobre a obra como um todo, está certo?

Lembrando também que tudo o que foi escrito aqui visa seu aperfeiçoamento como escritora, para que sua história seja tudo o que merece: um romance épico e memorável.

Assim, sem mais delongas, vamos à vitrine:

TÍTULO

The Blood We Hide. Este nome tem peso e desperta a curiosidade de forma imediata, o que combina perfeitamente com a proposta sobrenatural.

SINOPSE

É convidativa, principalmente partindo do princípio do “menos é mais”. Para leitores como eu, quanto menor a sinopse, mais ela desperta o interesse, em especial quando estabelece o conflito principal, criando naturalmente certa expectativa.

CAPA

É o tipo de vitrine que faz o leitor querer saber mais da história. O design ficou realmente muito bonito e apelativo: o famoso "comprar o livro pela capa". E eu compraria, sem sombra de dúvida.

» II. ANÁLISE TÉCNICA

ENREDO E PLOT

A premissa carrega exatamente aquilo que amamos em histórias sobrenaturais, mas a execução… ficou no "quase". Certos conflitos acabam atropelados pela velocidade dos acontecimentos, o que não permite aquele respiro para assimilar ou mesmo entender o universo que nos está sendo apresentado. A narrativa dá a impressão de não ter um eixo bem definido, fazendo com que os acontecimentos pareçam desconexos e sem propósito claro.

O vínculo entre os personagens no passado (Interlúdio I) surge de forma muito abrupta. Em um único capítulo, eles se conhecem, se apaixonam e a tragédia acontece. Essa pressa narrativa acaba esvaziando o peso emocional da morte dela; para o leitor, parece mais um recurso de roteiro do que um sentimento real. Outro ponto que me deixou confusa foi a falta de lógica nas crenças de uma das protagonistas, Olívia Mackenzie.

Olívia nega a existência das lendas da vila. Em um capítulo, ela ri da ideia de vampiros e diz que foram "ursos" os responsáveis pela morte dos pais.

— E seus pais? — fez a morena, querendo saber mais sobre a história da amiga.

— Pouco tempo depois que nasci, o vilarejo foi atacado por uma fera sedenta, como os anciões contavam. Segundo eles, demônios sugadores de sangue atacaram nosso povo e dizimaram centenas, incluindo meus pais.

— Demônios sugadores de sangue? — Ann-Marie perguntou, confusa.

— Sim. — Olivia gargalhou do embaraço da outra. — Eles diziam que eram vampiros. Eu te disse, lugarzinho cheio de lendas...

— Mas, como assim?

— Foram ursos, tenho certeza. O lugar era cercado por florestas. No entanto, eles juravam que eram vampiros. — Olivia divertia-se com as recordações e as formas com que foram contadas em sua infância. (Capítulo I).

Mas, posteriormente, Olívia discute abertamente com a prima sobre alcateia, ascensão (poderes e transformações) e uma profecia. 

— Certo, Olivia — respondeu com desdém. — Você sabe que isso nunca havia acontecido em nossa alcateia. Não é uma coisa comum. Você nunca foi uma pessoa fácil, a vovó que o diga — comentou, lembrando-se da infância.

— Não coloque a vovó no meio disso. Pelo menos ela nunca me julgou por não ter feito a ascensão.

— Você sabe que ela acreditava na lenda, Ayla. Ela tinha completa certeza de que a garota da profecia era você.

[...]

Ayla Mackenzee, a pobre garota órfã. Após completar dezoito anos, ela deveria fazer sua ascensão, porém não foi o que aconteceu e o fato virou notícia em todo o vilarejo onde morava. Todos a olhavam de lado, como se fosse algum tipo de aberração. Todos os lobos, ao completarem a maioridade, faziam sua ascensão, onde assumiam seus poderes e transformações.

Ayla se manteve por lá até a morte da avó, que fora a pessoa que a criara. Ao se mudar para os Estados Unidos, aproveitou para trocar de nome, a fim de americaniza-lo. Optou por Olivia, que lembrava o nome do seu pai, Oliver. (Capítulo II).

Se ela nasceu e cresceu em uma alcateia de lobos, onde a "ascensão" aos 18 anos é a norma, como ela pode tratar vampiros como uma "lenda de vilarejo" absurda? Se um existe, dentro do cenário sobrenatural, o outro é uma possibilidade real, não uma piada.

Além disso, as regras de como alguém ganha poderes são o que mantém a tensão. Se a regra é "ascender", mas ninguém sabe como, o leitor não consegue torcer pela personagem porque não entende o esforço que ela precisa fazer. O que comprova certa incoerência no roteiro. Talvez a personagem tenha feito piada da situação de forma proposital, para desviar o foco e manter o mistério. No entanto, não há nada que sustente isso; o leitor apenas supõe.

Essa é outra questão importante: a falta de estabelecimento das bases do universo sobrenatural. Até o momento, a narrativa se apoia no repertório que o leitor já traz de obras como Crepúsculo e The Originals, deixando as regras, a hierarquia e o funcionamento desse mundo apenas nas entrelinhas. Há uma economia na construção de mundo, tratando o sobrenatural como algo subentendido. Para que a obra ganhe forma, é preciso que ela dite suas próprias leis: como funciona a alcateia? Quais são as limitações desses vampiros? Como eles foram transformados?

ESCRITA E RITMO A narrativa acontece em uma velocidade tão à la Usain Bolt que os eventos parecem “soltos” ao longo da leitura. Falta ambientação; falta detalhes nos cenários, nas vestes e até na descrição física dos personagens, dificultando a imersão nas cenas e impedindo que o leitor se situe no espaço narrado. Se não sabemos se o personagem está de terno, de armadura ou de moletom, não conseguimos “ver” a cena. Sem a descrição da Universidade de Windber no presente, da vila na Escócia ou do reino em 1580, os espaços viram apenas nomes. O leitor precisa ficar o tempo inteiro montando a imagem mental do lugar, o que se torna cansativo. 

E o meu maior ponto de preocupação: a verossimilhança e a inconsistência linguística.

A Marie-Jeanne (Ann-Marie no presente), por exemplo, embora apresentada como princesa, necessita de marcas linguísticas de nobreza que deveriam construir sua autoridade. O texto até tenta parecer sério e antigo, mas vira e mexe escorrega para um jeito de falar muito atual, que não tem nada a ver com o “passado”. Essa falta de cuidado com a "voz" dos personagens quebra demais o ritmo; parece que estamos observando pessoas contemporâneas em um cenário de época, e não indivíduos que realmente pertenceram àquele século.

— Sabe, acho que amo você — Marie-Jeanne disse em tom brincalhão, aguardando a resposta do rapaz.

— Você acha? Eu tenho certeza! — Christoffer falou convencido, arrancando risos da moça.

— Espero que dure... — ela sussurrou de forma preocupada e esperando que ele não ouvisse, mas seu tom foi o suficiente para que chegasse aos ouvidos do outro.

— Não pronuncie tais palavras, por mim durará eternamente. Você é tudo que tenho. Você é minha, eu sou seu e juntos somos um só. Você me ensinou que viver é muito mais que respirar, afinal você é meu oxigênio — o jovem declarou, com um lindo sorriso no rosto ao olhar para Marie-Jeanne, que sorria da mesma forma. (Interlúdio I).

Dizer que alguém é o seu "oxigênio" em um cenário onde sequer se sabia da existência do elemento revela um claro anacronismo, que é quando personagens utilizam termos ou conceitos que só surgiriam décadas ou séculos depois.

PERSONAGENS

Eu queria muito ter me conectado com eles, de verdade. Talvez por estarmos no início, as motivações ainda pareçam um pouco forçadas, pois não houve tempo suficiente para conhecer suas camadas. No entanto, o Alexander, que deveria ser esse vampiro imponente e secular, acaba perdendo sua "voz própria". Ele apresenta reações que não condizem com sua idade avançada ou com a história que ele carrega. Fica a sensação de que o personagem "esquece" quem ele é para se encaixar nas necessidades imediatas da cena, o que tira sua credibilidade como predador imortal.

Ele chega, vê a Olívia sendo assediada e ameaçada com uma faca, e em vez de uma demonstração de poder que fizesse o cara sair voando por uma janela, a cena esfria. Cadê a agressão? Cadê o sangue nos olhos? O cara vive há centenas de anos e o texto o descreve "com medo"?

— Eu acho que ela pediu para largar — Alexander falou, mantendo sua voz firme apesar do medo inexplicável.

— Não se mete, porque você não tem nada haver com isso — Mark resmungou, ainda sem soltar sua vítima. (Capítulo III).

Se ele é um vampiro poderoso, não deveria sentir medo de um assediador humano; o natural seria sentir fúria, sede ou aquela vontade de puxar a "espinha" do cara pela boca. Pode ter sido o vínculo? Pode. Mas, de uma forma ou de outra, esse medo retira toda a imponência do personagem. Fica a impressão de que ele esqueceu que possui superforça e velocidade.

» III. CONCLUSÃO


PONTOS FORTES


A capacidade de atrair o leitor. Sim, senhor! A obra possui uma "vitrine" impecável: o título é bom, a capa é muito bonita e a premissa toca exatamente nos pontos que os fãs de fantasia sobrenatural mais amam.


FUNDAMENTAÇÃO DO UNIVERSO


É preciso estabelecer as próprias regras da sua mitologia. Não deixe que o leitor dependa apenas do que ele conhece de outras séries; crie sua própria hierarquia e leis sobrenaturais.


RITMO NARRATIVO


Você precisa permitir que o leitor sinta a história em vez de apenas receber informações. Desenvolver os sentimentos e cenários com calma ajudará a evitar o "atropelo" dos eventos.


REVISÃO LINGUÍSTICA


Ajustar marcas de oralidade moderna em personagens que deveriam ser formais.


OBSERVAÇÕES


Minha nota final transmite exatamente aquela promessa inicial de manter o mundo. Sua história me conquistou de cara, mas não posso ignorar o fato de que ainda precisa de uma revisão estrutural para que saia do “quase”. É uma trama que tem tudo para ser 5 estrelas, desde que receba o cuidado e a pesquisa que o gênero exige.


VEREDITO FINAL

⭐⭐⭐

“Romance com gostinho de épico, mas que carece de um melhor desenvolvimento.”

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CIANAMOON Autor(a)

─── ﹒ uma tal de [ metáfora ] na arte de existir . garota dos rascunhos e das playlists . licenciada em letras e em colecionar palavras erradas . metida a beta reader e em outras coisinhas aí.

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